Eu sempre achei que pensar era ter opinião. Mas hoje eu vejo que, por muito tempo, eu não pensava, só defendia.
Defendia o que eu acreditava com uma certeza tão rígida que qualquer pessoa que discordasse parecia um problema. Não virava conversa, não virava troca. Virava briga. E isso me marcou muito, por ser uma sombra interna IMENSA.
Porque eu comecei a perceber que as pessoas não estavam interessadas em entender. E, sendo bem honesto, eu também não estava.
Eu estava interessado em estar certo e isso muda absolutamente tudo. (você já foi ou ainda age assim?)
Porque quando você quer estar certo, você não escuta. Você reage. Você se protege. Você ataca se for preciso. E qualquer pensamento diferente deixa de ser uma ideia… e vira um ataque pessoal.
Eu vivi muito assim, me orientava totalmente pelas minhas crenças. E isso, por si só, não seria um problema. O problema é que eu não ficava só em mim.
Eu invadia o espaço do outro.
Sempre me colocava como alguém que sabia o que era certo, o que era errado, como as pessoas deveriam viver. Eu era um juiz. E não um juiz silencioso — eu falava, apontava, eu queria que o outro se ajustasse ao que eu acreditava. (e que vergonha eu tenho disso, meu deus do céu, ALGUÉM ME ARRUMA UM BALDE PRA EU ENFIAR MINHA CABEÇA?)
Hoje eu olho pra isso e vejo o quanto eu era ARROGANTE. E não foi um momento específico que mudou isso. Não foi um “clique”. Foi um processo.
Foi como atravessar uma ponte e, quando eu cheguei do outro lado, percebi que não fazia mais sentido voltar. Não porque alguém me convenceu, mas porque aquelas crenças simplesmente não sustentavam mais a forma como eu queria viver.
Elas pararam de servir e aí começou uma coisa que, pra mim, foi muito desconfortável:
perceber que eu não sabia tanto quanto eu achava.
Porque até então eu me via como alguém que sabia o que era melhor para os outros. E, quando essa ideia começou a cair, veio junto uma sensação muito clara:
como eu podia cogitar que sabia o que era melhor pra vida de alguém sendo que eu nem dou conta de minha própria vida? (RINDO DE NERVOSO)
Essa pergunta me desmontou. E, ao mesmo tempo, me libertou.
Porque foi ali que eu comecei a sair desse lugar de controle e entrar num lugar de construção. Não de respostas prontas, mas de perguntas. Hoje, pensar pra mim não é mais defender uma ideia.
Pensar é estruturar questionamentos.
É me observar. É perceber de onde vêm as minhas “certezas”. É entender por que eu acredito no que eu acredito.
Pensar, pra mim, é me libertar das armadilhas que eu mesmo me permiti ficar preso.
E isso não é confortável. Porque questionar desmonta… desmonta o sistema de crenças e a partir desse desmonte, vai desencadeando o efeito dominó de desmonte da identidade e “segurança”.
Mas, ao mesmo tempo, abre espaço pra crescer.
Depois que eu saí das religiões, entendi uma coisa que mudou muito minha forma de ver a vida:
não existe perda, se algo “se perde”, é porque nunca foi seu. Só passou… e isso inclui crença também.
Tem coisa que a gente segura só porque aprendeu e continuou reproduzindo, não porque faz sentido.
E soltar isso dá medo, até porque muita gente tem apego.
Apego ao que aprendeu na infância.
Apego ao que foi ensinado como verdade.
Apego à identidade que construiu em cima disso.
E questionar parece errado. Parece traição, desrespeito.
Mas eu acredito que seja o contrário.
Talvez questionar seja a primeira forma real de respeito com a própria vida. Porque, no fim das contas, a maioria das pessoas não deixa de questionar porque não consegue.
Deixa porque tem medo de perceber que viveu baseado em algo que nunca foi realmente escolhido.
E talvez esse seja o ponto mais difícil de encarar:
quantas coisas você ainda defende… que você nunca parou pra pensar de verdade?
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Sou uma pessoa trans e encontrei na espiritualidade livre, na meditação e no autoconhecimento um caminho para reconciliar minha identidade com minha fé. Minha trajetória me mostrou que o amor divino não exclui, acolhe, e hoje dedico meu trabalho a inspirar outras pessoas a viverem uma espiritualidade mais consciente, livre de rótulos e conectada à própria essência. Em 2024, conquistei o 4º lugar na categoria Diversidade e Inclusão do reality The Best Speaker Brasil, reforçando meu propósito de ampliar esse diálogo com mais pessoas.